quarta-feira, 23 de novembro de 2011





No pulo do gato, no drible desconcertante 
do craque, no olhar tímido do artista que
pinta o sol em meio a tempestade, está
derramada uma pétala branca da minha
prece.

Sou devoto destes milagres pequenos,
sem deidades multicoloridas ou hierarquias
celestes.

Eu rezo é pelo esplendor que existe dentro
das flores e sobre o arrepio das asas
dos passarinhos.

Água fresca na jarra, perfume de baunilha
no ar, beijo na boca apaixonada, assim está
o elemento espaço dentro de mim
nesta hora.

A ampulheta foi virada, meu tempo escorre
agora como flecha e minha alma de mostarda

clama

por grãos de verdades absolutas, mas o
que eu desejo é apenas uma história

bem contada para que eu possa me

enganar

e morrer outra vez.

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